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Outras meninas

O projeto outras meninas é um espaço de construção mútua, onde mulheres falam sobre sua relação com o próprio corpo e eu ilustro esse depoimento baseado na imagem nua dessa moça.

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Queria entender melhor a minha relação com meu próprio corpo, que é é bastante confusa. Emagrecer, engordar, malhar, fazer dieta, tudo para chegar em algum lugar muito estranho entre começar a gostar de mim e esperar que gostem também

Esse espaço começou a ser construído há pouco tempo, no início de fevereiro, em conjunto com as meninas falando o que elas vêem no espelho e o que eu vejo através desse pequeno vislumbre que tenho de cada uma. Todas participam como autoras anônimas gratuitamente, mandando um texto – uma palavra ou muitas, que fale de sua relação com seu próprio corpo e uma foto sua, um nú, como referência para a ilustração. O objetivo é no fim publicar um livro com essa construção mútua.

Desde que tudo isso começou participaram mais de 60 mulheres, sendo que dessas quase metade já foram desenhadas e tiveram seus depoimentos expostos. Essa experiência tem sido incrível para mim, para quem pode participar e para tantas outras pessoas que acompanham essas histórias, se identificando e reconstruindo em paralelo sua autoimagem, as vezes tão distorcida. Abaixo, algumas anônimas que passaram pelo processo:


“Antes de me desprender dos padrões e conseguir me sentir bonita, sexy e interessante, lutei contra o meu corpo de um jeito bem agressivo durante muitos anos. Eu não podia ter o cabelo armado, não podia ser tão branca ou tão ossuda, os pêlos, que insistiam em crescer grossos e escuros, precisavam ser arrancados, tinha que esconder minhas profundas olheiras. E, o mais importante, eu não podia feder. Nunca. Essas eram as verdades sobre o meu corpo que aderi ao final da minha infância. Passei a queimar meu cabelo para deixa-lo liso e "arrumado” e a sofrer com os puxões da depilação. Escondi meus pés e pernas (magros, branquelos e ossudos) por toda a minha adolescência. Usar maquiagem me ajudou a ter menos olheiras e o perfume me tornou uma pessoa cheirosa.

Aí cansei. Assumi os cachos que tanto maltratei. Libertei meus pés, por anos enclausurados e até consegui acha-los bonitos. Comecei a mostrar as pernas e aceitei a existência dos meus pêlos (que ainda arranco, mas com menos frequência). As olheiras continuam comigo, só que livres das camadas de corretivo. Também parei de espirrar em mim um cheiro que não me pertence. E na maioria do tempo, me considero uma pessoa bem cheirosa. Nunca me senti tão bem com o que vejo no espelho. No fim, acho que me tornei aquela pessoa segura de si que gostaria de ter conhecido antes de começar a maltratar meu corpo na busca por um padrão que nunca me pertenceu.

As pessoas confundem desapego com desleixo. E isso tá muito errado. Desleixo não é ter pêlos ou olheiras. Desleixo é não conhecer e respeitar o próprio corpo."


“O problema é que eu gosto do meu corpo, mesmo velho. Aí você se pergunta, como isso pode ser um problema? Bom, as pessoas esperam que você seja mais “humilde” na terceira idade, com um tamanho de short decente ou uma roupa de banho grande o suficiente para tampar as marcas dos anos em você. Esses tempos fui com minha filha na praia e ela ficou horrorizada por eu ir de biquíni, já que ela mesma estava de maiô, para esconder o corpo meio flácido da gravidez. Agora devo ter vergonha de ser o que sou? Já tive 10 corpos diferentes para cada fase da vida e agradeço a todos eles por ter chego até aqui e ainda conseguir caminhar mais rápido que meu neto na praia.”

Além desses, você pode encontrar outras histórias pelo Facebook, Tumblr e Instagram do projeto.
Apesar de estar adorando essa construção, o fato de destinar tanto tempo a ele está me fazendo abdicar de outros trabalhos remunerados que o sustentam. Sendo assim, gostaria de pedir sua ajuda financeira para custear essa criação e quem sabe, caso consiga uma doação regular maior, destinar mais tempo para ele, aumentando assim o número de depoimentos ilustrados para as redes aqui citadas. A contribuição mensal é feita por aqui, via cartão de crédito, em um valor mínimo de apenas R$2,00 mensais.

Obrigada pela sua atenção, se tiver alguma dúvida, é só entrar em contato pelo email outrasmeninas@gmail.com

Um grande abraço,
Manu Cunhas

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